Uma crise de ansiedade pode assustar muito. O coração acelera, a respiração fica curta, o peito aperta, a cabeça dispara e o corpo parece avisar que algo ruim vai acontecer. Algumas pessoas sentem tremores, calor, frio, tontura, náusea, formigamento, pressão na garganta ou uma vontade forte de fugir. Outras sentem medo de perder o controle, medo de morrer, medo de enlouquecer ou medo de não conseguir atravessar os próximos minutos.

Quem olha de fora pode não entender. Pode dizer “calma”, “isso é coisa da sua cabeça” ou “não tem motivo para isso”. Mas, para quem está vivendo a crise, a sensação é real. O corpo entra em alerta como se estivesse diante de uma ameaça. Mesmo que não exista um perigo físico imediato, o organismo reage com intensidade. A mente tenta explicar a sensação e, muitas vezes, cria pensamentos ainda mais assustadores.

Entender uma crise de ansiedade não significa diminuir sua importância. Significa dar nome ao que acontece, criar recursos para atravessar o pico e saber quando procurar ajuda. A crise não define quem você é. Ela é uma resposta do corpo e da mente a uma combinação de medo, tensão, interpretação, lembranças, estresse e sensação de ameaça. Com cuidado, apoio e tratamento adequado, é possível aprender a lidar melhor com esses momentos.

O que acontece no corpo durante uma crise de ansiedade?

Durante uma crise, o corpo ativa um sistema antigo de proteção. É como se o organismo entendesse que precisa se preparar para lutar, fugir ou se defender. A adrenalina aumenta, o coração bate mais rápido, a respiração muda, os músculos ficam tensos e a atenção se volta para possíveis perigos. Esse sistema é útil quando existe uma ameaça real, como atravessar uma rua e perceber um carro vindo em alta velocidade. O problema é quando ele é ativado em situações que não exigem uma reação tão intensa.

A pessoa pode estar em casa, no trabalho, em uma reunião, no ônibus, no mercado ou tentando dormir. De repente, sente algo no corpo. Talvez um aperto no peito. Talvez uma tontura. Talvez uma respiração diferente. A mente interpreta a sensação como perigosa: “tem algo errado comigo”, “vou desmaiar”, “vou morrer”, “não vou conseguir sair daqui”. Essa interpretação aumenta o medo. O medo aumenta as sensações. As sensações parecem confirmar o pensamento. Assim, o ciclo cresce.

Por isso, a crise de ansiedade pode parecer uma armadilha. A pessoa tenta se acalmar, mas fica monitorando o corpo. Quanto mais observa, mais percebe sinais. Quanto mais percebe sinais, mais se assusta. O coração acelerado, que poderia ser apenas uma resposta de ansiedade, passa a ser interpretado como prova de perigo. A falta de ar, que pode vir de respiração curta e tensão, parece sinal de algo grave.

Em caso de sintomas novos, dor intensa no peito, desmaio, alteração neurológica, intoxicação, risco físico ou dúvida médica, é importante buscar avaliação de saúde. Mas, quando a crise é de ansiedade, compreender o ciclo ajuda a pessoa a não tratar cada sensação como catástrofe. O corpo está em alerta. Isso é desconfortável, mas não significa necessariamente que você está em perigo naquele minuto.

Por que a crise parece tão urgente?

A ansiedade tem uma característica forte: ela cria urgência. Ela diz “faça algo agora”. A pessoa sente vontade de sair correndo, ligar para alguém, procurar garantias, checar o corpo, pesquisar sintomas, tomar uma decisão imediata, mandar mensagens, beber para relaxar ou fugir da situação. O impulso parece necessário porque a emoção está muito alta.

Mas nem toda urgência emocional precisa virar ação. Às vezes, o melhor primeiro passo é pausar. Não uma pausa passiva, mas uma pausa de segurança. Sentar, apoiar os pés no chão, respirar com mais calma, olhar ao redor, lembrar onde está, falar com alguém de confiança ou procurar atendimento. A ideia é criar espaço entre a sensação e a reação.

Uma crise costuma subir, atingir um pico e depois diminuir. No auge, a pessoa pode acreditar que vai ficar daquele jeito para sempre. Mas emoções intensas oscilam. O corpo não sustenta o pico máximo indefinidamente. Saber disso não faz a crise sumir, mas ajuda a atravessar. Em vez de pensar “não vou aguentar”, tente pensar “vou atravessar o próximo minuto”. Depois, mais um. Depois, mais um.

Essa mudança é importante porque a ansiedade tenta transformar minutos em eternidade. Ela faz o futuro parecer fechado. Uma pessoa em crise pode pensar que a vida inteira está desmoronando, quando talvez o cuidado necessário seja passar pelos próximos dez minutos sem tomar uma atitude perigosa ou impulsiva.

Primeiro passo: nomear a crise

Nomear o que está acontecendo ajuda a reduzir a confusão. Você pode dizer em voz baixa ou mentalmente: “isso é ansiedade”, “meu corpo está em alerta”, “estou tendo uma crise”, “isso é muito desconfortável, mas eu posso atravessar”. Essa frase não é mágica. Ela não elimina tudo. Mas muda a relação com a experiência.

Quando a pessoa não nomeia, a mente procura explicações assustadoras. “Estou morrendo.” “Vou enlouquecer.” “Vou perder o controle.” “Nunca mais vou melhorar.” Ao dizer “isso é uma crise de ansiedade”, você não nega a dor; você dá uma moldura. A experiência deixa de ser um monstro sem nome e passa a ser um fenômeno conhecido, ainda que difícil.

Nomear também ajuda a não obedecer imediatamente ao medo. A ansiedade pode dizer: “fuja agora”. Você pode responder: “estou com vontade de fugir porque estou ansioso; antes de agir, vou me estabilizar”. A ansiedade pode dizer: “mande dez mensagens”. Você pode responder: “estou buscando alívio; vou esperar alguns minutos antes de enviar”.

Esse espaço entre emoção e ação é uma habilidade. No começo, pode durar segundos. Depois, minutos. Com prática e apoio, a pessoa aprende a reconhecer sinais mais cedo. Em vez de perceber apenas quando a crise já explodiu, começa a notar os primeiros indícios: respiração curta, pensamentos acelerados, irritação, necessidade de checar, tensão no corpo ou vontade de fugir.

Segundo passo: voltar para o ambiente

Durante a crise, a mente costuma ir para dentro do medo. A pessoa fica presa em pensamentos e sensações. Uma forma de ajudar é voltar aos poucos para o ambiente. Olhe ao redor e nomeie cinco coisas que você vê. Depois, quatro coisas que você sente com o corpo, como o contato dos pés no chão, a roupa na pele, a cadeira, o ar no rosto. Depois, três sons. Depois, duas coisas que você consegue cheirar. Depois, uma coisa que você pode saborear ou perceber na boca.

Essa prática é simples, mas tem uma função importante: lembrar ao cérebro que você está aqui, agora. A ansiedade leva a mente para cenários possíveis, perigos futuros, lembranças e imagens. O contato com o ambiente ajuda a diminuir a fusão com esses cenários.

Outra prática é descrever o lugar onde você está: “estou no meu quarto, são tantas horas, estou sentado, a porta está ali, meu celular está na mesa, eu estou tendo uma crise e estou me cuidando”. Isso pode parecer estranho, mas ajuda quando a pessoa sente desrealização, confusão ou sensação de estar fora do próprio corpo.

O objetivo não é se distrair à força. É ancorar. A crise pode continuar presente, mas você começa a criar um ponto de apoio. Como alguém segurando uma corda enquanto a onda passa.

Terceiro passo: cuidar da respiração sem brigar com ela

Na ansiedade, a respiração pode ficar curta, rápida ou irregular. A pessoa tenta puxar muito ar e acaba se assustando ainda mais. Em vez de forçar uma respiração perfeita, tente apenas alongar um pouco a saída do ar. Inspire de forma confortável e solte o ar mais devagar. Não precisa encher o peito ao máximo. Respire de um jeito possível.

Uma sugestão simples é inspirar contando até três e soltar contando até cinco. Se isso parecer difícil, conte menos. O importante é não transformar a respiração em mais uma cobrança. Algumas pessoas ficam ansiosas tentando respirar “certo”. Então, a orientação deve ser gentil: apenas solte o ar um pouco mais devagar do que entrou.

Também ajuda relaxar ombros, mandíbula e mãos. Muitas crises vêm acompanhadas de tensão muscular. Abra e feche as mãos devagar. Encoste os pés no chão. Perceba a cadeira sustentando seu corpo. Se estiver deitado e isso aumentar o medo, sente-se. Se estiver em pé e sentir tontura, sente-se com segurança.

Respirar não resolve todos os motivos da ansiedade, mas pode ajudar o corpo a sair do pico. Depois que o corpo baixa um pouco, fica mais fácil pensar, pedir ajuda e decidir o próximo passo.

Quarto passo: separar fato, pensamento e medo

Durante a crise, pensamento e realidade se misturam. A pessoa pensa “vou morrer” e sente como se isso fosse fato. Pensa “vou perder o controle” e acredita que está prestes a acontecer. Pensa “ninguém vai me ajudar” e se sente completamente abandonada. Uma habilidade importante é separar as camadas.

Fato é aquilo que pode ser observado. “Meu coração está acelerado.” “Estou tremendo.” “Recebi uma mensagem difícil.” “Estou sozinho em casa.” “Briguei com meu parceiro.” Pensamento é a interpretação: “não vou aguentar”, “isso nunca vai passar”, “minha vida acabou”. Medo é a emoção que vem junto.

Você pode escrever ou falar: “o fato é que meu corpo está ativado; o pensamento é que vou morrer; o medo está muito alto”. Essa separação não invalida o sofrimento. Ela ajuda a mente a não tratar a interpretação como certeza.

Depois, pergunte: “qual é uma explicação menos catastrófica para isso?”. Talvez seja: “meu corpo está reagindo à ansiedade”. “Estou machucado por uma conversa.” “Estou cansado e sem dormir.” “Essa sensação já veio antes e passou.” A ideia não é criar pensamento positivo artificial, mas abrir espaço para uma visão menos extrema.

O que evitar durante uma crise?

Evite tomar decisões grandes no auge da crise, quando possível. Terminar um relacionamento, pedir demissão, confrontar alguém, dirigir sem condição, mandar mensagens agressivas, beber para apagar a dor ou se isolar completamente podem parecer soluções no momento, mas podem trazer consequências difíceis depois.

Evite também pesquisar sintomas sem parar. Em crise, a busca por informação pode virar combustível para o medo. A pessoa procura para se acalmar, mas encontra possibilidades assustadoras e fica pior. Se há dúvida médica real, procure atendimento de saúde. Se é um ciclo conhecido de ansiedade, tente interromper a checagem.

Evite discutir com alguém quando você está no pico. Se a crise veio de uma briga, talvez sua mente queira resolver tudo imediatamente. Mas conversas no auge costumam virar ataque, defesa, choro, ameaça ou arrependimento. Uma frase melhor pode ser: “eu estou muito ativado agora; preciso me acalmar antes de continuar”.

Evite ficar sozinho se houver risco de se machucar. Essa é uma diferença essencial. Algumas pessoas precisam de silêncio para se acalmar, mas silêncio não é o mesmo que isolamento perigoso. Se você teme agir contra si, chame alguém, procure atendimento e afaste meios de autoagressão quando possível.

Quando procurar psicólogo imediatamente?

Procure apoio psicológico imediato quando a crise estiver forte demais para você atravessar sozinho, quando houver medo de perder o controle, quando os pensamentos estiverem muito acelerados, quando você estiver em desespero depois de uma briga ou notícia difícil, ou quando sentir que precisa de ajuda para não agir no impulso.

Também procure ajuda quando a crise vem acompanhada de pensamentos de morte, vontade de sumir, automutilação, uso de álcool ou drogas para suportar a dor, insônia intensa, sensação de perseguição, confusão ou risco de violência. Nesses casos, a conversa com um profissional pode ajudar a organizar segurança e próximos passos.

Um psicólogo 24 horas online pode ajudar em momentos em que a pessoa sente que não consegue esperar. O atendimento pode oferecer acolhimento, estabilização emocional, avaliação inicial de risco e orientação. Se houver risco físico imediato, tentativa de suicídio, intoxicação, agressão ou ameaça, acione também serviços de emergência e pessoas de confiança.

Se a crise envolve uma relação amorosa e os dois estão seguros para conversar, uma terapia de casal 24 horas online pode ajudar a reduzir a escalada. Mas, se há medo, ameaça ou violência, o atendimento individual e a proteção devem vir primeiro.

Crise de ansiedade e relacionamentos

Relacionamentos podem ser grandes gatilhos de ansiedade. Uma mensagem sem resposta, uma briga, uma suspeita de traição, uma ameaça de término, um ciúme, uma conversa difícil ou uma sensação de distância podem ativar medo intenso. A pessoa pode sentir urgência de falar, perguntar, pedir garantia, checar redes sociais ou tomar uma decisão.

O problema é que agir no auge da ansiedade pode piorar o vínculo. A pessoa manda várias mensagens, acusa, pressiona, ameaça ir embora ou exige respostas imediatas. O parceiro se defende, se irrita ou se afasta. O afastamento aumenta a ansiedade. O ciclo cresce.

Nesses momentos, uma pergunta útil é: “eu quero resolver ou quero aliviar a ansiedade agora?”. Às vezes, a conversa precisa acontecer, mas não naquele minuto. A pessoa pode escrever o que sente sem enviar. Pode marcar uma conversa para mais tarde. Pode pedir uma frase de segurança sem transformar em interrogatório. Pode procurar apoio antes de agir.

Quando as crises se repetem dentro da relação, talvez o casal precise olhar para o padrão. A ansiedade pode ser individual, mas também pode estar sendo alimentada por falta de confiança, mentiras, ameaças, silêncio punitivo ou insegurança real. Cuidar da crise não elimina a necessidade de cuidar do vínculo.

Ansiedade, evitação e alívio rápido

Uma crise de ansiedade costuma empurrar a pessoa para alguma forma de alívio rápido. Fugir, evitar, checar, pedir garantia, beber, comer compulsivamente, dormir demais, se trancar, cancelar compromissos, sair correndo. Algumas dessas atitudes podem aliviar por alguns minutos, mas manter o problema no longo prazo.

Por exemplo, se uma pessoa sempre sai do mercado quando sente ansiedade, o cérebro aprende que mercado é perigoso e que fugir é necessário. Se sempre pede garantia ao parceiro, o cérebro aprende que só consegue ficar bem quando o outro responde. Se sempre evita conversas difíceis, o medo da conversa cresce.

Isso não significa que a pessoa deve se forçar violentamente. O cuidado precisa ser gradual. Às vezes, ficar mais um minuto no lugar já é um avanço. Fazer uma conversa de dez minutos já é um avanço. Respirar antes de checar já é um avanço. O tratamento ajuda a construir essa exposição com segurança.

O objetivo não é nunca sentir ansiedade. É aprender que você pode sentir ansiedade e ainda assim escolher uma resposta mais saudável. Essa é uma mudança profunda: a ansiedade deixa de ser comandante e passa a ser um sinal a ser cuidado.

Depois da crise: o que observar?

Quando a crise passa, pode vir vergonha. A pessoa pensa: “fui ridículo”, “dei trabalho”, “sou fraco”, “não deveria ter acontecido”. Essa autocrítica pode preparar o terreno para novas crises. Em vez de se atacar, tente revisar com curiosidade.

Pergunte: o que aconteceu antes da crise? Eu estava dormindo mal? Havia acúmulo de estresse? Tive uma conversa difícil? Usei muita cafeína? Estava evitando algo? Tive pensamentos repetitivos? Fiquei checando sintomas? Estava sozinho? Que atitude ajudou? Que atitude piorou?

Essa revisão cria um mapa. Com o tempo, você pode perceber sinais de alerta. Talvez suas crises venham depois de noites mal dormidas, conflitos familiares, excesso de trabalho, álcool, redes sociais, pressão financeira ou silêncio em relacionamentos. Saber disso permite cuidar antes do pico.

Depois da crise, também vale pensar em continuidade. Uma conversa de urgência ajuda, mas crises repetidas pedem acompanhamento. Psicoterapia regular pode ajudar a entender padrões, trabalhar pensamentos, reduzir evitação, lidar com corpo, fortalecer rede e criar um plano para momentos difíceis.

Como ajudar alguém em crise de ansiedade?

Se alguém perto de você está em crise, evite ridicularizar ou minimizar. Frases como “para com isso”, “não é nada”, “você está exagerando” geralmente pioram. A pessoa já está assustada. Ela precisa de presença calma, não de julgamento.

Fale com frases simples: “eu estou aqui”, “vamos respirar devagar”, “sente aqui comigo”, “olhe para mim”, “você está tendo uma crise, e ela vai passar”, “vamos atravessar um minuto de cada vez”. Pergunte se ela quer ficar sentada, beber água, ir para um lugar menos cheio ou ligar para alguém.

Não obrigue a pessoa a explicar tudo no pico. Também não toque nela sem perguntar, especialmente se ela estiver muito assustada. Algumas pessoas se acalmam com toque; outras se sentem presas. Pergunte: “posso segurar sua mão?” ou “você prefere espaço?”.

Se a pessoa falar em se machucar, morrer, sumir ou se estiver confusa, intoxicada ou em risco, não deixe sozinha. Procure ajuda profissional e serviços de emergência quando necessário. Levar a sério não significa entrar em pânico; significa agir com cuidado.

Quando a crise tem relação com trauma

Algumas crises de ansiedade são disparadas por lembranças ou situações que tocam em experiências difíceis. Um cheiro, uma voz, uma data, uma notícia, uma discussão, um lugar ou uma sensação corporal podem trazer de volta uma memória emocional. A pessoa pode reagir como se o passado estivesse acontecendo de novo.

Nesses casos, apenas dizer “isso não está acontecendo agora” pode não bastar, embora seja uma parte do cuidado. O corpo precisa reaprender segurança. Técnicas de aterramento, respiração, orientação no presente e psicoterapia podem ajudar a pessoa a diferenciar passado e presente.

Se a crise vem com imagens invasivas, pesadelos, evitação de lugares, sensação de ameaça constante ou reações fortes a gatilhos, é importante buscar acompanhamento. Trauma não é fraqueza. É uma marca deixada por experiências que ultrapassaram a capacidade de lidar naquele momento.

O cuidado precisa ser gentil. Forçar a pessoa a falar de tudo de uma vez pode piorar. O tratamento deve construir segurança antes de aprofundar memórias dolorosas.

Crise de ansiedade no trabalho

No trabalho, a crise pode ser especialmente angustiante porque a pessoa teme ser julgada. Pode estar em reunião, atendimento, sala cheia, transporte, apresentação ou prazo apertado. O medo não é apenas da crise, mas de todos perceberem. Isso aumenta a pressão.

Se possível, vá a um local mais reservado por alguns minutos. Sente-se, solte o ar devagar, apoie os pés no chão e reduza estímulos. Se tiver uma pessoa de confiança no trabalho, avise de forma simples: “estou passando mal de ansiedade e preciso de alguns minutos”. Você não precisa contar detalhes íntimos.

Depois, observe se o trabalho está funcionando como gatilho constante. Cobrança excessiva, assédio, metas impossíveis, medo de demissão, ambiente hostil, falta de pausa ou jornadas longas podem manter o corpo em alerta. Nesse caso, cuidar da ansiedade também envolve olhar para a realidade do ambiente, não apenas para técnicas individuais.

Se as crises no trabalho se repetem, psicoterapia pode ajudar a criar estratégias, avaliar limites, melhorar comunicação e pensar em mudanças possíveis. Em alguns casos, também pode ser necessário procurar avaliação médica ou orientação sobre saúde ocupacional.

Crise à noite: quando tudo parece pior

Muita gente sente ansiedade mais forte à noite. O silêncio aumenta, as distrações diminuem, o corpo está cansado e a mente começa a revisar problemas. Uma preocupação puxa outra. A pessoa tenta dormir, mas percebe o coração, a respiração, os pensamentos. Quanto mais tenta forçar o sono, mais acordada fica.

Nesses momentos, pode ajudar sair da luta contra o sono por alguns minutos. Acenda uma luz baixa, sente-se, respire com calma, escreva em um papel o que está preocupando e o que pode ser feito amanhã. O objetivo é dizer ao cérebro: “não preciso resolver tudo agora”.

Evite ficar pesquisando sintomas ou rolando redes sociais sem fim. Isso pode aumentar ativação. Procure uma prática repetitiva e calma: banho morno, leitura leve, áudio tranquilo, alongamento suave, oração se fizer sentido para você, ou uma conversa com alguém seguro.

Se a noite vem com pensamentos de morte, medo de se machucar ou sensação de risco, não fique sozinho. Chame alguém e procure ajuda. A madrugada pode deixar tudo mais solitário, mas você não precisa atravessá-la sem apoio.

O papel da terapia na prevenção de novas crises

A terapia ajuda a pessoa a entender seu próprio ciclo. O que dispara ansiedade? Que pensamentos aparecem? Quais sensações assustam mais? Que atitudes aliviam na hora, mas mantêm o problema? Que situações são evitadas? Que histórias antigas ainda pesam? Que recursos podem ser construídos?

Na terapia cognitivo-comportamental, é comum trabalhar a relação entre pensamento, emoção, corpo e comportamento. A pessoa aprende a observar interpretações catastróficas, experimentar respostas diferentes, reduzir evitação e criar estratégias de enfrentamento. Também pode aprender a se aproximar gradualmente de situações temidas, em vez de viver cada vez mais limitada.

Outras abordagens também podem ajudar, especialmente quando a ansiedade está ligada a traumas, relações, perdas, autoestima, conflitos familiares ou sofrimento existencial. O mais importante é que a pessoa encontre um cuidado sério, ético e adequado à sua necessidade.

Prevenir crises não significa nunca mais sentir medo. Significa sentir medo com mais recursos. Significa saber pedir ajuda antes do colapso. Significa ter um plano. Significa não acreditar em tudo que a ansiedade diz no auge.

Um plano simples para momentos de crise

Ter um plano escrito pode ajudar muito. No auge da crise, pensar fica difícil. Por isso, o plano deve ser feito antes, em momento de maior calma. Ele pode ter quatro partes: sinais de alerta, ações de estabilização, pessoas de apoio e serviços de ajuda.

Sinais de alerta: respiração curta, pensamento “não vou aguentar”, vontade de fugir, checagem de sintomas, vontade de mandar mensagens, aperto no peito, tremor, choro, irritação. Ações de estabilização: sentar, respirar soltando o ar devagar, nomear cinco coisas ao redor, beber água, escrever, tomar banho, sair de perto de discussões, esperar dez minutos antes de agir.

Pessoas de apoio: uma amiga, um familiar, um vizinho, alguém que possa atender uma ligação ou ficar junto. Escreva nomes e contatos. Serviços de ajuda: psicólogo, atendimento 24 horas, emergência local, pronto atendimento, rede de proteção se houver violência.

O plano não precisa ser perfeito. Precisa ser acessível. Deixe em um lugar fácil: bloco de notas do celular, papel na carteira, mensagem fixada. Em crise, você não precisa inventar tudo do zero. Pode seguir o próximo passo escrito.

Você não é a sua crise

Uma crise de ansiedade pode fazer a pessoa se sentir fraca, quebrada ou incapaz. Mas você não é a sua crise. Você é uma pessoa passando por uma experiência intensa de medo e ativação. Essa experiência merece cuidado, não vergonha.

Também é importante não transformar a crise em identidade. Dizer “eu sou ansioso” pode ser menos útil do que dizer “eu tenho vivido crises de ansiedade e estou aprendendo a cuidar disso”. A primeira frase parece fechar a história. A segunda abre caminho.

Com apoio, muitas pessoas aprendem a reduzir frequência, intensidade e impacto das crises. Aprendem a reconhecer sinais, atravessar sensações, questionar pensamentos, pedir ajuda, colocar limites e cuidar melhor do corpo. A ansiedade pode continuar aparecendo, mas não precisa mandar em tudo.

No momento da crise, talvez a meta seja apenas passar pelos próximos minutos com segurança. Depois, a meta pode ser entender o que precisa mudar na vida, na rotina, nos relacionamentos e na forma de lidar com emoções. Uma crise é um sinal de sofrimento. E sofrimento, quando é ouvido com cuidado, pode se transformar em busca de ajuda, proteção e reconstrução.

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Referências bibliográficas

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