Esse tipo de medo costuma ser mal compreendido. Quem vive isso pode pensar que ter um pensamento estranho significa perigo real. Pode acreditar que, se a mente imaginou, é porque existe uma vontade escondida. Pode tentar expulsar o pensamento, pedir garantias, evitar lugares, esconder objetos, fugir de situações ou ficar verificando se ainda está “normal”. O problema é que quanto mais a pessoa tenta provar que está no controle absoluto, mais presa fica à dúvida.
Pensamentos assustadores não são raros. A mente humana produz imagens, ideias, impulsos e hipóteses o tempo todo. Algumas são úteis. Outras são absurdas, violentas, vergonhosas, estranhas ou sem sentido. O sofrimento começa quando a pessoa interpreta a presença desses pensamentos como ameaça. Em vez de pensar “minha mente gerou uma ideia desagradável”, ela pensa “isso diz algo terrível sobre mim”.
O que significa ter medo de perder o controle?
Ter medo de perder o controle não significa que a pessoa realmente vai perder o controle. Muitas vezes, significa que ela está assustada com as próprias sensações, emoções ou pensamentos. Ela sente ansiedade e interpreta essa ansiedade como sinal de perigo. Sente raiva e pensa que pode explodir. Sente tristeza e teme fazer algo contra si. Tem uma imagem intrusiva e passa a acreditar que aquilo revela uma intenção.
Esse medo pode aparecer em diferentes situações. Uma pessoa com pânico pode temer enlouquecer durante uma crise. Alguém com ansiedade social pode temer perder o controle na frente dos outros, passar vergonha, tremer, chorar ou sair correndo. Uma pessoa com pensamentos obsessivos pode temer que uma ideia intrusiva se transforme em ação. Alguém em fase de estresse intenso pode pensar que não vai aguentar a pressão.
O ponto central é a sensação de ameaça interna. A pessoa não teme apenas o mundo externo. Ela teme a si mesma: seu corpo, sua mente, seus impulsos, suas emoções. Isso é muito cansativo, porque parece que não há lugar seguro. Se o perigo está dentro, a pessoa passa a se vigiar o tempo todo.
Mas emoções e pensamentos não são ações. Sentir raiva não é agredir. Imaginar uma cena não é desejar que ela aconteça. Ter um pensamento intrusivo não é uma confissão. Ansiedade costuma confundir possibilidade, pensamento e realidade. O cuidado começa por desfazer essa mistura.
Pensamento não é intenção
Uma das ideias mais importantes é esta: pensamento não é intenção. A mente pode produzir pensamentos contrários aos seus valores. Pode imaginar coisas que você jamais faria. Pode criar cenas absurdas justamente porque você tem medo delas. Isso não significa que você queira agir daquela forma.
Por exemplo, uma pessoa carinhosa pode ter um pensamento agressivo e ficar horrorizada. Um pai amoroso pode ter uma imagem assustadora envolvendo o filho e sentir culpa. Uma pessoa religiosa pode ter pensamentos blasfemos indesejados. Alguém que valoriza a vida pode ter um pensamento sobre se machucar e entrar em pânico. O sofrimento vem justamente porque o pensamento entra em choque com quem a pessoa acredita ser.
Quando a pessoa interpreta o pensamento como intenção, começa a se vigiar. Pergunta: “por que pensei isso?”, “será que eu quero?”, “e se eu fizer?”, “e se eu estiver ficando perigoso?”. Quanto mais tenta responder, mais o pensamento parece importante. A mente entende que aquele conteúdo merece atenção urgente.
Uma resposta mais saudável é: “isso é um pensamento intrusivo, desagradável e contrário aos meus valores”. Essa frase não tenta discutir por horas. Ela reconhece o pensamento sem transformá-lo em prova. Pensamentos podem aparecer sem receber julgamento, investigação infinita ou punição.
Por que pensamentos assustadores ficam mais fortes quando tentamos expulsá-los?
Quando um pensamento assusta, a reação natural é tentar expulsá-lo. A pessoa diz: “não posso pensar nisso”, “preciso parar agora”, “isso é horrível”, “sai da minha cabeça”. O problema é que tentar não pensar em algo exige monitorar se você ainda está pensando. Esse monitoramento mantém o pensamento ativo.
É como tentar não lembrar de uma palavra. Para verificar se conseguiu, você precisa procurar a palavra na mente. E, ao procurar, encontra. Com pensamentos assustadores acontece algo parecido. Quanto mais a pessoa tenta garantir que o pensamento sumiu, mais atenção dá a ele.
Além disso, a luta contra o pensamento aumenta a sensação de perigo. A mente aprende: “se estou lutando tanto contra isso, deve ser grave”. O corpo fica ansioso. A ansiedade aumenta a frequência de pensamentos intrusivos. A pessoa se assusta mais. O ciclo cresce.
Isso não significa que você deve gostar do pensamento ou concordar com ele. Significa que talvez seja melhor mudar a postura. Em vez de expulsar, reconhecer: “minha mente produziu um pensamento assustador”. Em vez de investigar por horas, deixar passar. Em vez de pedir certeza absoluta, aceitar que pensamentos não precisam ser resolvidos um por um.
O ciclo da ameaça interna
O ciclo costuma começar com uma sensação, emoção ou pensamento. Pode ser um aperto no peito, uma onda de raiva, uma imagem intrusiva, uma frase mental ou uma sensação de estranheza. Depois vem a avaliação: “isso é perigoso”, “vou perder o controle”, “não sou confiável”, “preciso fazer algo para garantir que nada aconteça”.
A ansiedade sobe. A pessoa tenta neutralizar. Pode rezar repetidamente, pedir garantia, evitar objetos, sair de perto de pessoas, checar se sente vontade, analisar o próprio caráter, pesquisar na internet, repetir frases mentais, confessar pensamentos ou evitar ficar sozinha. Essas atitudes aliviam por pouco tempo.
Mas o alívio vira armadilha. A mente aprende que o pensamento era perigoso e que só não aconteceu nada porque a pessoa neutralizou. Então, na próxima vez, o pensamento volta com mais força. A pessoa sente que precisa neutralizar de novo. O ciclo se fortalece.
O caminho de melhora geralmente envolve fazer o oposto do impulso ansioso: parar de tratar o pensamento como emergência, reduzir neutralizações e aprender a permanecer com algum desconforto sem obedecer ao medo. Isso pode ser difícil no começo, mas é uma aprendizagem poderosa.
Medo de enlouquecer
Muitas pessoas em crise de ansiedade pensam: “vou enlouquecer”. Esse medo pode aparecer durante ataques de pânico, insônia, estresse extremo ou momentos de desrealização, quando o ambiente parece estranho ou a pessoa se sente distante de si mesma. A sensação é tão diferente que a mente tenta explicar como perda de sanidade.
Mas sentir estranheza não significa enlouquecer. A ansiedade intensa pode alterar a percepção. O corpo entra em alerta, a atenção fica estreita, a respiração muda, o cérebro procura perigo. A pessoa pode se sentir fora do normal e concluir que está perdendo o controle.
Uma pergunta útil é: “isso é uma sensação assustadora ou uma prova de que estou enlouquecendo?”. Sensações assustadoras podem ser muito desconfortáveis, mas passam. Elas não precisam ser interpretadas como catástrofe.
Se houver sintomas como confusão intensa, perda de contato com a realidade, uso de substâncias, risco de autoagressão ou comportamento muito desorganizado, é importante procurar avaliação profissional rapidamente. Mas, em muitos casos de ansiedade, o medo de enlouquecer é parte do próprio ciclo ansioso.
Medo de machucar alguém
Esse medo costuma causar muita vergonha. A pessoa pode ter pensamentos ou imagens de machucar alguém querido e ficar apavorada. Justamente por amar aquela pessoa, o pensamento parece insuportável. Ela começa a evitar facas, tesouras, dirigir, segurar bebês, ficar sozinha com filhos ou chegar perto de janelas.
É importante diferenciar pensamento intrusivo de intenção violenta. No pensamento intrusivo, a pessoa se assusta, sente culpa, tenta evitar, busca garantias e sofre porque aquilo é contrário aos seus valores. Ela não quer agir. Ela teme agir. Essa diferença é central.
O medo cresce quando a pessoa passa a tratar o pensamento como sinal de perigo. Ela pensa: “se eu imaginei, posso fazer”. Mas a mente imagina muitas coisas que nunca faremos. Pensamentos intrusivos costumam grudar justamente nos temas mais importantes para a pessoa: cuidado, moralidade, segurança, família, fé, responsabilidade.
Isso não significa ignorar qualquer risco. Se a pessoa sente impulso real de ferir alguém, está intoxicada, perdeu o controle de comportamento, tem histórico de violência ou está em crise grave, deve buscar ajuda imediata e se afastar da situação de risco. Mas, quando se trata de pensamentos intrusivos ansiosos, o tratamento costuma trabalhar a interpretação do pensamento e a redução de rituais de neutralização.
Medo de se machucar
Algumas pessoas têm pensamentos assustadores sobre se machucar. Podem estar perto de uma janela e pensar “e se eu pular?”. Podem ver uma faca e pensar “e se eu me cortar?”. Podem dirigir e pensar “e se eu jogar o carro?”. Esses pensamentos podem aparecer como intrusões, sem desejo real, e gerar muito medo.
Ao mesmo tempo, pensamentos de morte ou autoagressão precisam ser tratados com cuidado. A diferença entre pensamento intrusivo assustador e risco real nem sempre é fácil para a pessoa avaliar sozinha. Por isso, se há vontade de morrer, plano, intenção, preparo, acesso a meios ou sensação de que pode agir, procure ajuda imediata, chame alguém de confiança e acione serviços de emergência da sua região.
Quando o pensamento é intrusivo e indesejado, a pessoa geralmente teme o pensamento e faz de tudo para evitá-lo. Ainda assim, o sofrimento merece cuidado. Não é necessário esperar virar risco para procurar apoio psicológico.
Um psicólogo 24 horas online pode ajudar a diferenciar crise de ansiedade, pensamento intrusivo e sinais de risco, além de orientar um plano de segurança quando necessário. Em situações de risco imediato, atendimento emergencial presencial e rede de apoio devem ser acionados.
Medo de perder o controle em público
Outra forma comum é o medo de perder o controle na frente dos outros. A pessoa teme chorar, tremer, ficar vermelha, suar, gaguejar, passar mal, sair correndo, vomitar ou parecer “estranha”. Esse medo aparece muito em ansiedade social, mas também pode surgir em pânico e em situações de estresse.
O problema não é apenas a sensação. É a ideia de que os outros vão perceber, julgar, rir, rejeitar ou considerar a pessoa incapaz. A ansiedade então aumenta a vigilância. A pessoa começa a monitorar o rosto, a voz, as mãos, o suor, o jeito de andar. Quanto mais monitora, menos natural se sente.
Para evitar constrangimento, pode começar a fugir de apresentações, festas, reuniões, filas, restaurantes, transporte público ou conversas difíceis. No curto prazo, evitar alivia. No longo prazo, ensina ao cérebro que aquelas situações são perigosas.
O caminho de melhora costuma envolver exposição gradual, treino de atenção externa, redução de comportamentos de segurança e revisão das crenças sobre julgamento. A pessoa aprende que sentir ansiedade em público é desconfortável, mas não necessariamente desastroso.
Raiva e medo de explodir
Sentir raiva pode assustar quem tem medo de perder o controle. A pessoa sente calor, tensão, vontade de gritar, impulso de sair ou responder de forma dura. Em seguida, pensa: “vou perder a cabeça”, “vou machucar alguém”, “sou uma pessoa ruim”. Esse medo pode levá-la a reprimir tudo ou fugir de qualquer conflito.
Raiva é uma emoção. Ela informa que algo foi percebido como injusto, invasivo, frustrante ou ameaçador. O problema não é sentir raiva. O problema é o que se faz com ela. Uma pessoa pode sentir raiva intensa e ainda escolher se afastar, respirar, falar depois, pedir ajuda ou colocar limite sem agressão.
Quem teme a própria raiva pode precisar aprender sinais precoces. Antes da explosão, talvez venha mandíbula travada, punhos fechados, voz alterada, pensamento de injustiça, vontade de interromper. Reconhecer cedo permite agir cedo: pedir pausa, sair do ambiente com segurança, beber água, escrever antes de falar.
Em relações amorosas, esse cuidado é essencial. Se a raiva vira grito, ameaça, humilhação ou agressão, é preciso procurar ajuda e assumir responsabilidade. Se a crise é do casal e há segurança para conversar, a terapia de casal 24 horas online pode ajudar. Se há violência ou medo, a prioridade é proteção e atendimento individual.
Por que pedir garantias não resolve?
Quando a pessoa tem medo de perder o controle, costuma pedir garantias. Pergunta a amigos, familiares, parceiros ou profissionais: “você acha que eu sou perigoso?”, “você acha que estou enlouquecendo?”, “você acha que eu faria isso?”, “tem certeza que é ansiedade?”. A resposta tranquiliza por alguns minutos. Depois a dúvida volta.
Isso acontece porque a ansiedade não quer uma resposta razoável. Ela quer certeza absoluta. E certeza absoluta sobre o futuro, sobre pensamentos e sobre controle interno perfeito não existe. Quanto mais a pessoa busca garantia, mais a mente aprende que não consegue lidar com dúvida.
Com o tempo, o pedido de garantia vira ritual. A pessoa não pergunta para aprender; pergunta para aliviar. O alívio é curto. A dependência aumenta. O parceiro ou familiar pode ficar exausto, e a pessoa ansiosa se sente cada vez mais insegura.
Uma alternativa é responder de outro modo: “estou buscando garantia porque estou ansioso. Posso tolerar essa dúvida sem perguntar de novo agora”. No início, isso aumenta desconforto. Depois, ensina ao cérebro que a dúvida pode ser suportada.
Evitar tudo aumenta o medo
Evitar parece proteção. Se a pessoa tem medo de facas, guarda todas. Se teme altura, evita janelas. Se teme perder o controle em público, não sai. Se teme pensamentos, evita filmes, notícias, conversas, objetos e situações que possam dispará-los. O alívio vem rápido.
Mas a evitação cobra caro. O mundo vai ficando menor. A pessoa passa a acreditar que só está segura porque evita. Não aprende que poderia enfrentar a situação sem agir de forma perigosa. O cérebro mantém a associação: “isso é ameaça”.
A mudança costuma ser gradual. Não se trata de se expor de qualquer jeito, sem cuidado. Trata-se de construir, com orientação, pequenos passos para se aproximar do que foi evitado e reduzir rituais. Por exemplo, uma pessoa pode aprender a permanecer perto de um objeto temido sem fazer checagens. Ou participar de uma situação social sem monitorar tanto o corpo. Ou permitir um pensamento intrusivo sem neutralizar.
A exposição não serve para provar que você nunca sentirá ansiedade. Serve para aprender que ansiedade não precisa mandar. O corpo pode ficar desconfortável e, ainda assim, você pode escolher seus atos.
Como responder a pensamentos assustadores?
Uma resposta útil tem três partes: reconhecer, nomear e redirecionar. Reconhecer: “apareceu um pensamento assustador”. Nomear: “isso é uma intrusão ansiosa, não uma ordem”. Redirecionar: “vou voltar ao que eu estava fazendo sem resolver esse pensamento agora”.
Evite discutir por horas com a mente. A ansiedade adora tribunal. Ela pergunta: “mas e se?”. Você responde. Ela pergunta de novo. Você responde mais. No fim, está exausto e menos seguro. Em vez disso, tente uma resposta curta: “talvez minha mente nunca me dê certeza absoluta; ainda assim, vou seguir meu valor agora”.
Se o valor é cuidar do filho, você cuida, mesmo com ansiedade. Se o valor é trabalhar, você trabalha um passo de cada vez. Se o valor é estar presente, você volta para a conversa. Se o valor é saúde, você procura ajuda sem transformar a crise em checagem infinita.
O objetivo não é apagar pensamentos. É reduzir o poder deles. Pensamentos podem estar no fundo enquanto você vive. Com o tempo, quando recebem menos alarme, tendem a perder frequência e força.
Uma prática simples: “estou tendo o pensamento de que…”
Uma técnica simples é colocar uma pequena distância entre você e o conteúdo mental. Em vez de dizer “vou perder o controle”, diga: “estou tendo o pensamento de que vou perder o controle”. Em vez de “sou perigoso”, diga: “minha mente está produzindo o pensamento de que sou perigoso”.
Essa mudança parece pequena, mas ajuda. A primeira frase parece verdade. A segunda mostra que é um evento mental. Você não precisa acreditar automaticamente em tudo que a mente diz. A mente pode produzir alarmes falsos, especialmente quando está cansada, ansiosa ou assustada.
Também é possível usar humor leve, sem debochar do sofrimento: “minha mente está no canal do desastre de novo”. Ou: “obrigado, mente, por tentar me proteger, mas não preciso resolver isso agora”. Esse tipo de resposta reduz a seriedade absoluta do pensamento.
Não use a técnica para expulsar o pensamento. Use para mudar a relação com ele. Se você disser “estou tendo o pensamento de que…” esperando que ele desapareça imediatamente, pode se frustrar. A prática é permitir presença sem obediência.
Quando o medo de perder o controle vem com pânico
Durante ataques de pânico, o medo de perder o controle pode ser muito forte. A pessoa sente o corpo fora do comum e pensa que vai enlouquecer, gritar, desmaiar ou fazer algo estranho. Esse medo aumenta o pânico. O corpo fica mais ativado. A pessoa se assusta ainda mais.
Nesses momentos, volte ao básico: nomeie a crise, solte o ar devagar, apoie os pés no chão, olhe ao redor e lembre que pânico tem pico e queda. Não tente provar que está cem por cento no controle. Tente atravessar um minuto com segurança.
Depois da crise, observe o que você fez para se sentir seguro. Fugiu? Pediu garantia? Pesquisou sintomas? Ligou para alguém? Algumas ações podem ser necessárias em momentos específicos, mas, se viram padrão, podem manter o medo.
O tratamento para pânico pode incluir exposição a sensações corporais, reinterpretação de sintomas e redução de evitação. A pessoa aprende que sensações fortes não significam necessariamente perda de controle.
Quando procurar ajuda com urgência?
Procure ajuda com urgência se o medo de perder o controle vem acompanhado de risco real: vontade de se machucar, vontade de machucar outra pessoa, plano, acesso a meios, uso de álcool ou drogas, sensação de que pode agir, violência, surto, confusão intensa ou incapacidade de se manter seguro.
Também procure apoio rapidamente se os pensamentos assustadores estão fazendo você parar de viver, evitar pessoas amadas, abandonar trabalho, não dormir, pedir garantias o dia inteiro ou sentir vergonha insuportável. Mesmo que não haja risco imediato, sofrimento intenso merece cuidado.
Em crise, falar com um psicólogo 24 horas online pode ajudar a organizar o que está acontecendo, diferenciar pensamento intrusivo de risco, criar um plano de segurança e orientar próximos passos. Se houver perigo imediato, chame serviços de emergência e uma pessoa confiável.
Não espere ter certeza perfeita para pedir ajuda. Se você está com medo de não ficar seguro, envolva apoio. Segurança vem antes de qualquer vergonha.
Como a terapia pode ajudar
A terapia pode ajudar a pessoa a entender o ciclo entre pensamento, interpretação, ansiedade e neutralização. Em vez de focar apenas em “tirar o pensamento”, o cuidado trabalha a forma como a pessoa se relaciona com ele. O pensamento deixa de ser tratado como ameaça máxima e passa a ser visto como evento mental desconfortável.
Na terapia cognitivo-comportamental, podem ser trabalhadas interpretações catastróficas, crenças sobre controle, medo de sensações, evitação, busca de garantia e comportamentos de segurança. Em quadros obsessivos, a exposição com prevenção de resposta pode ajudar a pessoa a enfrentar pensamentos ou situações temidas sem realizar rituais.
Abordagens baseadas em aceitação também podem ser úteis. Elas ajudam a pessoa a abrir espaço para sensações e pensamentos sem se fundir com eles. Em vez de lutar o dia inteiro contra a mente, a pessoa aprende a voltar para valores: cuidado, presença, trabalho, família, saúde, espiritualidade, liberdade.
O tratamento não promete que nenhum pensamento estranho aparecerá. Isso não seria realista. O que ele busca é reduzir medo, rituais, evitação e sofrimento. A pessoa aprende: “posso ter pensamentos assustadores e ainda assim escolher meus atos com responsabilidade”.
Como familiares e parceiros podem ajudar
Quem convive com alguém que tem medo de perder o controle deve evitar zombar ou assustar ainda mais. Frases como “nossa, isso é coisa de louco” ou “como você consegue pensar isso?” podem aumentar vergonha. A pessoa provavelmente já está apavorada com o próprio pensamento.
Ao mesmo tempo, oferecer garantias infinitas também não ajuda. Responder cem vezes “você não vai fazer nada” pode virar parte do ritual. Melhor acolher e incentivar uma resposta mais saudável: “eu vejo que isso te assustou. Parece ansiedade pedindo certeza. Vamos usar o que você aprendeu: nomear o pensamento e voltar para o presente”.
Se houver risco real, a postura muda. Não minimize. Se a pessoa diz que pode se machucar ou machucar alguém, se tem plano ou está fora de controle, procure ajuda imediata. Fique por perto se for seguro, remova meios de risco quando possível e acione serviços adequados.
Apoiar é diferente de virar terapeuta. Familiares e parceiros também precisam de orientação, descanso e limites. Quando o medo de perder o controle afeta o casal, a terapia individual e, em alguns casos, a terapia de casal podem ajudar a reduzir culpa, cobrança e silêncio.
Você não precisa obedecer a todos os alarmes da mente
A mente ansiosa tenta proteger, mas muitas vezes protege exagerando. Ela toca alarmes altos para pensamentos, sensações e possibilidades que não são emergências. Se você obedece a todos os alarmes, sua vida encolhe. Se aprende a reconhecer alarmes falsos, recupera espaço.
Isso não acontece da noite para o dia. O medo de perder o controle pode ser muito convincente. Mas cada vez que você permite um pensamento sem ritual, cada vez que reduz uma checagem, cada vez que permanece com desconforto sem fugir, ensina algo novo ao cérebro.
Você não é seus pensamentos. Você também não é sua ansiedade. Você é a pessoa que pode observar pensamentos, sentir ansiedade e ainda escolher ações alinhadas aos seus valores. Essa diferença muda muita coisa.
O medo diz: “garanta controle absoluto antes de viver”. O cuidado responde: “não existe controle absoluto; existe responsabilidade, apoio, tratamento e escolhas possíveis”. A vida volta quando a pessoa deixa de esperar uma mente perfeita para começar a caminhar.
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